História

No dia 21 de junho de 1971, era lavrada a ata de fundação dos INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO – IPÊ, ousada iniciativa cujo grande capital, valorizado ainda mais na perspectiva de hoje, não ia além da fé e da autoconfiança dos seus fundadores, todos com formação e experiência feita no magistério. Seus nomes: Marcos Augusto Trindade, José Trigueiro do Vale, Afonso Pereira da Silva, Flávio Colaço Chaves, José Loureiro Lopes e Manuel Batista de Medeiros.

 

A ideia inicial inclinava-se pela fundação de uma Universidade Católica. Era esta, pelo menos, a alternativa antevista por Marcos Trindade, depois de deixar a Reitoria do Seminário Arquidiocesano, e à qual se aliara o amigo e confrade de ministério Padre José Trigueiro do Vale. Mas, levado ao exame do Sr. Arcebispo, o projeto da universidade não logrou aprovação.

Como, ao lado de outros companheiros de magistério, Manuel Batista de Medeiros estava articulando a fundação de uma escola autônoma do mesmo nível, não demorou para que os dois grupos se incorporassem à mesma iniciativa.

A Ata de 21 de junho foi, assim, o resultado formal dessa união, celebrada e efetuada a partir de uma sala do mosteiro de São Bento, então abandonado e a precisar de restauração, cedido à nova entidade em regime de comodato pela Arquidiocese, por coincidência no dia consagrado ao protetor da juventude, São Luiz de Gonzaga.
Fé e autoconfiança como capital

A quem estivesse de fora, mesmo na visão de um contemporâneo menos crítico, aquela, seguramente, não se oferecia como a hora mais propícia a um empreendimento do gênero e dessa importância. Foi o momento em que o governo do regime militar mais investiu na Universidade pública, implantando a reforma que abrangia desde a criação de novos cursos e especializações à construção do campus universitário. O Orçamento da UFPB, tirando partido dessa aura de prestígio ao ensino que fazia parte da estratégia do regime, chegara a ser o quarto em recursos no país.

Com poucos anos de federalizada, o novo sistema a consolidara. Os professores que não foram expurgados e os que conseguiram ingressar nos seus quadros faziam parte de uma elite privilegiada em equipamentos de trabalho e salários.

 

Nesse contexto, quem iria acreditar e apostar na viabilidade de um ensino superior patrocinado por seis padres e “padres casados”, cujo único capital era a simples experiência de magistério? Na verdade, eram eles, os seis, os únicos que revelaram acreditar.

 

A escolha das escolas pioneiras resultou de consulta de opinião feita entre alunos do Básico, curso de preparação para o acesso à Universidade, instituído e incrementado na época para suprir as deficiências do ensino médio. Deve-se aos primeiros alunos do IPÊ a escolha dos quatro primeiros cursos.

 

 As primeiras turmas formaram-se, também, de bom número de excedentes do vestibular da Universidade Federal, muitos deles vindos do Ceará, outros do Rio Grande do Norte.

 “Com profissão de fé na Educação, ex-Reitor do Seminário Arquidiocesano, diretor do Colégio Pio XII, eu não tinha por que não acreditar numa iniciativa que oferecia novas opções à demanda universitária e para a qual, sem falsa modéstia, nos achávamos capazes”, confessa, hoje, de um mirante de sete mil alunos em sala de aula e mais de dezoito mil já colocados no mercado de trabalho, o ex-Reitor Marcos Augusto Trindade.

“Nem eu tinha motivos de não acreditar, nem tampouco nenhum dos companheiros fundadores, todos integrados no mesmo projeto, relevando-se que a formação cultural e o empenho pelo atual UNIPÊ prevalecem sobre as dissensões tão próprias do convívio humano”, completa o ex-Reitor.