Apesar da determinação do Ministério da Saúde, com a Portaria nº 196/83, de que todos os hospitais deveriam obrigatoriamente criar Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), na prática isso muita das vezes não acontece, devido às diferentes condições de funcionamento apresentadas pelos hospitais, bem como às resistências encontradas e aos processos de poder que se intercalam no curso de suas operacionalizações (SOUZA et al, 2002).
O controle da infecção hospitalar na UTI inclui uma diversidade de profissionais envolvidos na assistência ao usuário do serviço. Embora as teorias sejam as mesmas para todas as profissões, a prática varia naturalmente, dependendo das funções executadas. Entre essas profissões, segundo Camalionte (2000), encontra-se a Fisioterapia, cujos profissionais vêm se dedicando ao paciente crítico desde a década de 50. Inicialmente teve seu enfoque na assistência ventilatória com manuseio dos ventiladores não invasivos. Após este período, vem sendo incorporada ao atendimento dos pacientes, principalmente no aspecto respiratório, a chamada fisioterapia pneumofuncional e o apoio ao cuidado holístico do individuo.
O Fisioterapeuta, como profissional integrado na atenção ao paciente crítico, tem como objetivo, no controle de infecção, como qualquer outro profissional de saúde, evitar a transmissão cruzada de microorganismos, cuja transmissão poderá ocorrer em falhas no manuseio, na manutenção e limpeza de equipamentos, bem como na técnica incorreta da lavagem das mãos (BRITO, 2006).
Quando questionados sobre a Importância do Fisioterapeuta no Controle da Infecção Hospitalar, alguns alunos estagiários na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Fisioterapeutas Egressos do Curso de Fisioterapia do UNIPÊ deram os seguintes depoimentos:
“O fisioterapeuta tem contato direto com o paciente crítico e como um profissional de saúde deve realizar algumas medidas para evitar a infecção hospitalar: lavar bem as mãos ao entrar na UTI, antes e após o atendimento fisioterapêutico; usar luvas, gorro e máscara para atender os pacientes; não circular pela UTI com tais materiais após realizar os procedimentos fisioterápicos; o material utilizado para tratamento fisioterapêutico deve ser individual; realizar aspiração no paciente antes e/ou após a conduta, são medidas que previnem a infecção hospitalar”.
Ft. Emille Raulino (Aluna Egressa do UNIPÊ)
“O fisioterapeuta atua desde a forma de contato com o paciente, uso de EPIS, lavagem das mãos, adequado manejo com os aparelhos na UTI, por exemplo, a fim de não contaminar, até meios preventivos, como atividades educativas para controle da infecção.”
Mariana Veloso, Acadêmica do 9º Período de Fisioterapia – UNIPÊ
“Sabemos que a infecção hospitalar é um caso de risco de vida para os pacientes, contudo, o profissional de saúde, inclusive o fisioterapeuta, pode prevenir e controlar a mesma, tendo cuidado com os equipamentos e o manuseio dos mesmos, fazer uso adequado dos EPIS, lavagem de mãos, dentre outras recomendações básicas”.
Thyanna Dantas Acadêmica do 9º Período de Fisioterapia – UNIPÊ
O fisioterapeuta é um profissional que utiliza do contato físico com o paciente como ferramenta de tratamento. Só que esse mesmo contato físico, principalmente em meio hospitalar, pode servir de veículo para a transmissão indevida de doenças infecto-contagiosas de uma pessoa a outra se não forem tomadas medidas preventivas corretas como a lavagem das mãos e o uso de EPIs. Infecções hospitalares são muito frequentes e prolongam o tempo de internação do paciente assim como aumentam os gastos da área da saúde para o tratamento da infecção. Um tipo de infecção hospitalar intimamente presente na vida do fisioterapeuta é a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) onde as condutas fisioterapêuticas podem prevenir seu surgimento através da tomada de medidas como adoção de técnica asséptica de aspiração endotraqueal, posicionamento correto do tubo endotraqueal, verificação da pressão do cuff, elevação da cabeceira do paciente e desmame o mais precoce da ventilação mecânica. Desta maneira, pode-se verificar que o fisioterapeuta exerce papel de suma importância no controle das infecções hospitalares e cabe a conscientização deste profissional, desde sua formação e durante toda sua vida profissional, que seus atos trazem benefícios aos pacientes, mas quando mal executados, podem trazer malefícios muitas vezes irreversíveis.
Ft. Ramiguell Lacerda (Aluno Egresso do UNIPÊ, Pós-graduando em Fisioterapia Intensiva e Fisioterapeuta do Centro de Reabilitação Motora Nossa Senhora do Socorro Aracaju-SE
Desta forma conclui-se a importância do Fisioterapeuta no Controle da Infecção Hospitalar e de suas ações de forma preventiva para evitar inúmeros problemas como as infecções cruzadas, visando sempre promover saúde e bem-estar ao usuário do serviço na UTI.
Referências:
· CAMALIONTE, M. L. V. Aprimoramento de Recurso Humanos para o Controle de Infecção. In: FERNANDES, A. T. et al. Infecções hospitalares e suas interfaces na área de saúde. São Paulo (SP), Atheneu, 2000, p.1679 – 1685.
· SOUZA, A. C. S et al. Desafios para controle de infecção nas Instituições de Saúde. Percepção dos Enfermeiros. Ciencia Y Enfermeria. Chile, v.8, n.1, 2002. Disponível em <http://www.scielo.cl/scielo.php?ped=50717-95532002000100004 &script=sci-arttext&terg=pt> Acesso em 16 de Maio de 2012.
· BRITO, C.P. [et. al]. Conhecimentos e Atitudes dos Fisioterapeutas sobre Controle e Prevenção de Infecções Hospitalares em UTI’s de Teresina-PI. Disponível em: < http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2008/anais/arquivosEPG/EPG00876_01_O.pdf> Acesso em 16 de Maio de 2012.
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