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out

Categoria por Fisioterapia

HOJE É O DIA DOS PEQUENOS GRANDES HOMENS E MULHERES

Estou sentada há quase 30 minutos em frente ao computador tentando achar as palavras mais honestas e precisas para descrever o que vi e senti ao lado dos meus colegas e alunos nessa quarta-feira, dia 19 de Outubro de 2011. Era para ser mais um de nossas ações sociais. Mais uma oportunidade de ajudar pessoas que estão, muitas vezes, isoladas e sem nenhuma oportunidade de reconhecimento e de afeto. Eu nem estava na lista dos participantes, mas, por um acaso do destino, acabei compondo a Equipe que faria o Dia das Crianças de uma pequena Instituição de Ensino localizada no bairro do Cristo Redentor, que é ajudada pela Missão Atalaia.

 

Ao chegarmos ao local, me deparei com algumas dezenas de Pequenininhos e Pequeninhas, todos fardados, organizados como gente grande. Vi os meus Pequeninhos (que já nem são tão pequenos assim), se juntarem em um mutirão de alegria, desprendimento e trabalho para fazer daquela manhã um dia inesquecível. Para todos os lados que nós olhávamos eram crianças e adolescente e adultos, alunos, professores e funcionários com uma alegria realmente franca e gostosa de ver. Dança da cadeira, boliche, basquete, pintura no rosto, bambolê, dança do trenzinho, entrega de brindes para os campeões, e de presentes, alimentos e roupas e, para finalizar, um lanche degustado com o rosto lambuzado e as mãozinhas salpicadas de glacê e os bigodes marcados por refrigerante. Aquelas imagens, que agora me passam pela cabeça como filme, me fizeram recordar de uma fase da minha vida em que eu comecei a aprender o que era solidariedade…

 

 

 

 “(…) quando olho para trás, para um passado nem tão distante assim, lembro das coisas que eram verdadeiramente importantes para mim. Lembro do cheiro da chuva no jardim da minha casa, das bonecas e bichos de pelúcia que eu colecionava, das goiabas que pegávamos escondido na casa da vizinha, das brincadeiras com a molecada da rua, de fazer brigadeiro para comer na panela, de sonhar em ser uma grande médica, mas, principalmente, do Natal e do Dia das Crianças.”

 

Recordo-me, nitidamente, da primeira vez que esses dias me marcaram.

Era 12 de Outubro de 1986. Acordei cedo para abrir o meu presente do dia das crianças que sempre era depositado ao lado do meu travesseiro. Para minha surpresa na época, o presente não estava. Levantei, olhei no chão, embaixo da cama, na mesa da sala, no carro. Nada. Não havia presente. Curiosa e chateada, confesso, procurei minha mãe para questioná-la sobre aquele absurdo mal entendido e me deparei na cozinha com 100 cestinhas contendo pipoca, bolo, chocolate, brinquedos e sanduíches que minha mãe, avó e tia terminavam de confeccionar. “O que é isso?”, perguntei. “Presente do dia das crianças”, respondeu minha mãe. “Tudo pra mim?”, indaguei radiante. “Nenhum é seu”, prosseguiu minha mãe. “Junte todos os brinquedos que você não usa mais para brincar e vá colocando nesses saquinhos de presente”, pediu ela. “Eu brinco com todos”, continuei, agora visivelmente chateada. “Não, não brinca e você sabe disso. Sua irmã e suas primas já fizeram a parte delas”. Aborrecida por não ter ganho nenhum presente e ter que abrir mão dos meus, abri o baú onde todos estavam guardados e comecei a separar cada um deles e colocar nas embalagens. Ao final da manhã, a mala do carro estava repleta de brinquedos e cestinhas. Saímos no final da tarde nas ruas e, a cada criança que nós encontrávamos, uma cestinha e um presente eram entregues. Em pouco mais de 2 horas, não havia mais nada.

Chegamos em casa no começo da noite exaustas. Comemos cachorro-quente e refrigerante e, antes de irmos para cama, como era de praxe, minha mãe veio para rezar conosco, acender o abajur e apagar as luzes. Sentou-se ao meu lado (a essa hora minha irmã já dormia) e perguntou: “Você entendeu o que aconteceu hoje?”, me perguntou. “Entendi. A senhora pegou os meus brinquedos e deu para outras crianças”, respondi com um leve inconformismo ainda. “Não. Eu não peguei os seus brinquedos e dei a outras crianças. Você deu os seus brinquedos de presente para crianças que não têm nenhum. Todos eles, cada um deles, vai dormir feliz hoje”.

E sem dizer mais nada, levantou, desejou boa noite, apagou as luzes e fechou a porta. Naquela noite continuei não entendendo o que ela quis dizer e adormeci pensando no que ela falou. Acordei no dia seguinte, com o sol já alto, e o meu presente do dia das crianças depositado ao lado do meu travesseiro, exatamente como em todos os anos até onde minha memória pode alcançar”.

 

Hoje, dia  19 de Outubro de 2011, pude experimentar a doce sensação que deveria ter sentido lá trás, mas que a pouca idade não me permitiu compreender. Lembrei da minha avó que hoje não está mais aqui. Lembrei da minha infância. Lembrei do meu passado e agradeci com os olhos verdadeiramente marejados não apenas a família que tive, a mãe guerreira que possuo, os meus colegas incríveis dessa Instituição chamada UNIPÊ a qual faço parte há exatos 13 anos, ou seja, metade da minha vida (como aluna, egressa e docente) a oportunidade de ser presenteada presenteando. Vi naquelas carinhas ingênuas uma felicidade ímpar e fiz parte de uma caravana que lhes proporcionou, quem sabe, o Dia das Crianças mais feliz de suas vidas. Eu fiz parte desse momento e, embora eu não tenha ganho nenhuma boneca ou bicho de pelúcia de ninguém, voltei para a minha casa preenchida por uma sensação indescritível de felicidade e dever cumprido.

 

Aos meus alunos (os meus Pequenininhos nem tão pequenos assim) do Curso de Fisioterapia do UNIPÊ,

Aos meus colegas Professores que estavam lá e aos que não estavam, mas que contribuíram,

Às Professoras Mariana de Brito e Ana Delgado, além da graciosa Ligiane por terem trabalhado parte da noite de terça-feira para organizar tudo e,

À Professora Ana Margarida, pelo bolo mais lindo que vi na vida,

 

 

 

O MEU MUITO OBRIGADA POR ESSA MANHÃ INESQUECÍVEL.

 

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS A TODOS OS QUE SÃO CRIANÇAS E AOS QUE NÃO SÃO MAIS, MAS QUE NUNCA ESQUECERAM  COMO É IMPORTANTE PERMITIR UMA CRIANÇA SONHAR E SER FELIZ.

 

 

 

 

Prof. Jânia de Faria

Docente (MUITO ORGULHOSA) do Curso de Fisioterapia do UNIPÊ

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