O Método Canguru é um tipo de assistência neonatal que implica no contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém nascido de baixo peso (RNBP). O método foi criado em 1979 na Colômbia e nestas três décadas foi expandido para vários países de modo a contribuir para a redução da morbimortalidade neonatal em RN’s que apresentam peso inferior a 2.500g ao nascer. A trajetória da implantação do Método Canguru no Brasil foi permeada por experiências isoladas até 1999 quando foi implantada pelo Ministério da Saúde a Norma de Atenção Humanizada ao Recém Nascido de Baixo Peso, deve-se salientar que aqui no Brasil,ao contrário de outros paises, o programa não tem como objetivo a substituição de qualquer tecnologia ou recursos humanos e sim a promoção de uma mudança institucional na busca de atenção à saúde centrada na humanização da assistência e no principio da cidadania da família.
A organização do método se traduz no atendimento ao RNBP em três etapas, com acompanhamento de equipe multiprofisional desde a unidade de terapia intensiva até o seguimento ambulatorial.
A 1ª. Etapa ocorre ainda na unidade de terapia intensiva para garantir a estabilidade clinica, incentivar a co-participação materna no estímulo à sucção e quando possível inicia-se a colocação do RN na posição canguru. Ao adquirir estabilidade clínica, nutrição enteral plena e peso mínimo de 1250g, o RN é admitido na Enfermaria Canguru (2ª. etapa) onde será enfatizada a permanência na posição canguru, a estimulação sensorial multimodal e o estabelecimento do aleitamento materno desde o desmame da sonda orogástrica até a sucção em livre demanda no seio materno. A díade Mãe – RN permanece nesta etapa até que o RN apresente sucção exclusiva ao peito, peso mínimo de 1800g com ganho ponderal diário médio de 15g, além da melhora nos processos de auto regulação.
A atuação da fisioterapia na enfermaria canguru se dá em caráter profilático e terapêutico junto a díade mãe – RN, tendo como base a teoria síncrono-ativa, respeitando a relação entre os subsistemas autônomo, motor, comportamental, de atenção – interação e a regulação sobre estes sistemas.
O fisioterapeuta avalia o RNBP, aplica técnicas de estimulação neurossensorial e cinesioterapia respiratória, incentiva e orienta a mãe e familiares quanto à posição canguru, o aleitamento e a importância da estimulação. Após a avaliação é elaborado um plano de intervenção que esteja de acordo com a maturidade neurológica, condições hemodinâmicas e respostas comportamentais do RN.
A terapêutica e o manuseio são baseados na cinesioterapia,integração sensorial,estimulação proprioceptiva e posicionamento terapêutico. A estimulação tátil e cinestesica induz no RN melhora da função gastrointestinal e geniturinária, aumento do ganho ponderal, adequação do crescimento neuromuscular,maturação dos reflexos e o desenvolvimento da percepção,além de promover a sensação de segurança pela aplicação do holding. Associado a isto, o input proprioceptivo desencadeia respostas nos fusos musculares que favorecerão a organização da postura flexora e o equilíbrio das cadeias cinéticas.
Após atingir os critérios para a alta hospitalar, a díade é encaminhada para o seguimento ambulatorial (follow up do egresso de risco) onde se acompanha o crescimento e desenvolvimento neuromotor da criança. Nesta etapa a Fisioterapia junto à equipe realiza a triagem neurológica, aplica métodos para facilitar o desenvolvimento neuromotor e orienta os pais sobre estratégias de estimulação a serem realizadas em domicílio.
Professora Yluska Saraiva
Fisioterapeuta
Tutora Estadual do Método Canguru
Docente do Curso de Fisioterapia do UNIPE
UNIPÊ - BR 230 - Km 22, Água Fria - CEP 58053-000 - João Pessoa - Paraíba - Brasil . Fone: 83 21069200
Portal Unipê Ver. 2.0 . Copyright © Todos os direitos reservados . Design e Projeto - Ascom Unipê