Arianne Carvalho Lima Cunha
Acadêmica do 8° período de Psicologia
UNIPÊ – João Pessoa
Supervisionado pela Professora: Mônica Bandeira
A palavra autismo é de origem grega e significa “si mesmo”, logo, crianças portadoras deste transtorno parecem viver em seu próprio mundo, apresentando alterações em seu desenvolvimento, prejuízos qualitativos na interação social, uso problemático da linguagem e padrões de comportamentos restritos e estereotipados.
O autismo é uma desordem cerebral/comportamental e seus sintomas desenvolvem-se tipicamente antes dos três anos de idade, afetando a comunicação, as relações sociais e afetivas do indivíduo, portanto, a compreensão dos familiares/educadores frente às limitações de uma criança autista são essenciais para o seu bem-estar/desenvolvimento.
Dessa forma, em 1911, Bleuler, um psiquiatra suíço, reconhecido por suas contribuições para o entendimento da esquizofrenia fora o primeiro a difundir o termo autismo, referindo-se ao quadro da esquizofrenia, que consiste em uma fragmentação dos processos cognitivos, comportamentais e emocionais. Porém, foi Leo Kanner (Psiquiatra austríaco) em 1943, que cunhou o termo autismo infantil, relatando a condição de crianças que apresentavam em comum isolamento intenso, agressividade, medo de mudança, contato visual pobre, preferência por objetos inanimados e movimentos repetitivos, denominando-as de autistas.
Estatisticamente, o autismo afeta cerca de 20 crianças entre 10 mil nascidos, sendo quatro a cinco vezes mais frequente em meninos do que em meninas, porém, meninas portadoras do distúrbio autista têm maior probabilidade de apresentarem um retardo mental grave. Pode ser encontrado em todo o mundo e em qualquer configuração racial, étnica e social. A causa específica ainda é desconhecida, porém pode estar associada a fatores genéticos, imunológicos, biológicos e/ou perinatais, ou seja, evidências apontam para a multicausalidade.
Entender os motivos de posturas e comportamentos tão díspares é fundamental para os familiares da criança autista, afinal não é fácil conviver e lidar com o diferente. Acerca disso, percebe-se que os familiares necessitam de apoio e aconselhamento visto que precisam acolher, respeitar e amar uma criança que eles não esperavam que tivesse qualquer patologia. Faz-se necessário, ainda, compreender que o autista merece uma atenção especial, carinho, dedicação, paciência e acima de tudo ser aceito em suas limitações.
Entretanto, vale ressaltar que os profissionais da área de saúde e educação configuram como partes importantes e essenciais nesse processo de apoio aos familiares, bem como no entendimento de que não podem atender o autista como se ele configurasse apenas como uma mente doente ou um organismo biológico, devem e precisam atendê-lo como um ser biopsicossocial. Um acompanhamento realmente efetivo e humano deve compreender a pessoa e cuidar dela como um ser integrado, ativo e com sentimentos.
Assim sendo, um trabalho realizado por uma equipe multidisciplinar atuante seria de grande importância nessa assistência à criança autista. O labor multidisciplinar deve ultrapassar os objetivos unicamente médicos relacionados à luta contra doença, isto é, deve promover condição sine qua non para que os objetivos do tratamento sejam alcançados. Tais objetivos são aumentar o comportamento socialmente aceitável e pró-social, diminuir sintomas comportamentais bizarros e melhorar a comunicação verbal e não-verbal.
As pessoas portadoras do Transtorno Autista possuem o direito, de ser respeitado inerente a todo e qualquer ser humano, independente da severidade e natureza do seu distúrbio. Mesmo com todas as peculiaridades deste transtorno e sabendo que a cura ainda não foi encontrada, é importante amar e respeitar o jeito de viver da criança autista, afinal não importa se ela faz ou não algo especial, o que importa de verdade é o “elo” que une todos os seres humanos.
“É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos.”
(Saint Exupéry)
Alunos e professores estão sendo mobilizados para a ação, que beneficiará crianças e idosos de abrigos e instituiições de João Pessoa.
