ago 26

A população envelhecida torna-se um grande desafio para a saúde pública nos países considerados em situações de desigualdade social e pobreza. Atualmente é notório que os países subdesenvolvidos também estão em um processo rápido de envelhecimento populacional mundialmente, processo este que fora iniciado apenas nos países desenvolvidos. Devido aos fatores e alterações existentes no idoso, e pela falta de cuidados familiares seja por condições financeiras ou psicológicas, as pessoas da terceira idade são encaminhados a Instituições de Longa Permanência (ILP). O ILP é um estabelecimento que busca prestar assistência de forma integral aos idosos, principalmente aqueles que apresentam um precário suporte social, financeiro e familiar. As instituições têm como objetivo promover uma maior assistência ao idoso que não mantêm vínculo com seus familiares ou àqueles que não têm condições de sua própria subsistência satisfazendo as necessidades de uma boa moradia, saúde e convívio social, ou idosos que encontram-se dependentes de cuidados profissionais, como aqueles com diagnóstico de doenças crônicas. A tendência é o aumento da demanda por ILPIs no Brasil, embora as políticas priorizem a família como signatária do cuidado ao idoso. Ainda que imbuídos dessa percepção, há consenso de que, em muitos momentos, a ILPI se torna alternativa importante, uma opção voluntária e esperada, devendo assegurar a qualidade de vida das pessoas. A Política Nacional do Idoso (PNI) prevê a criação e implementação de múltiplas e variadas ações e serviços, considerando a articulação inter e intra-setorial, de órgãos não-governamentais e de todos os segmentos da sociedade. O que se percebe, no entanto, é a dificuldade de operacionalizar e implantar tais propostas em nível local, também no que se refere à relação entre as ILPIs e o Sistema de Saúde. O modelo assistencial que fundamenta as ações no SUS está pautado nas diretrizes de descentralização, atendimento integral com priorização das ações preventivas, sem prejuízo das assistenciais e participação da comunidade. As estratégias de intervenção, além do saber interdisciplinar e do fazer intersetorial, reúnem ações de promoção e manutenção da saúde, prevenção de riscos e agravos, cura, recuperação e reabilitação, dirigidas ao indivíduo, à família, à comunidade, ou à coletividade, na perspectiva da vigilância da saúde. Nesse sentido, percebe-se o avanço do Sistema de Saúde brasileiro. No entanto, a plena implementação da política do SUS, em todas as suas dimensões, ainda é um caminho a percorrer e longe de ser alcançado. E é nesse contexto que se insere o estudo da ILPI na relação com o Sistema de Saúde. A aproximação ao serviço de atenção básica tem sido buscada e efetivada por meio de diálogos e tratativas entre as equipes. Embora haja avanços, ainda fica evidente que os idosos da ILPI não são considerados no cômputo dos residentes da comunidade. Sendo assim, a fisioterapia tem um papel fundamental na implantação efetiva de ações e estratégias pautadas na política nacional do idoso, atuando nos três níveis de atenção a Saúde, ou seja, um atendimento integral. E mesmo diante de um quadro característico de incapacidades funcionais, podemos atuar mantendo e/ou melhorando a qualidade de vida destes idosos.

Rachel Cavalcanti Fonsêca- Fisioterapeuta e docente do UNIPÊ (rachelcfjp@hotmail.com)

mai 13

Atualmente é indiscutível o papel do profissional da fisioterapia no ambiente de terapia intensiva. Sedimenta-se esta forma de abordagem diante da complexidade dos eventos clínicos que injuria cada vez mais os pacientes, não apenas pela causa de admissão de sua entrada na UTI, mas pelas várias complicações que acompanham uma internação. Não é de se entranhar que pela multiplicidade de procedimentos realizados em uma UTI, o paciente saia ileso de complicações além da famigerada doença de base, motor de seu ingresso na unidade. Entubação, acesso venosos, introdução de cateteres, drenos, posturas viciosas, ventilação artificial, sondas, meias pneumáticas, monitorização contínua etc. Por um lado, o desenvolvimento dos recursos tecnológicos vem contribuindo com a qualidades dos serviços prestados, e é patente a evidencia das elevadas chances de recuperação dos paciente devido a refinada e avançada tecnologia empregada nos equipamentos e na qualificação da equipe multidisciplinar especializada. No entanto, no que se refere à forma de abordagem da equipe nos pacientes internados, muito se precisa avançar para minimizar as complicações. É inequívoca a idéia de que o tratamento desumano vem reservando um espaço desmedido no rol das seqüelas deixadas nas passagens de pacientes internados na UTI.

            De fato, a abrangência tecnológica ao mesmo tempo em que concorre com a restauração a normalidade decorrente do dano clínico, entrava esse processo diante de uma intervenção humana desnaturada. A concepção “coisificada” do corpo torna o paciente, não apenas vítima da doença como da própria condição de objeto de intervenção médica, mesmo com a melhor das intenções que é salvar a vida dos mesmos.

            A especialidade médica e as intervenções específicas configuram a idéia centrada na compartimentalização do corpo do individuo, em que um sistema do corpo humano é focado em detrimento ao todo que se torna irrelevante dentro do contexto de  sofrimento captado no período de internação. O trato com o corpo em unidade de terapia intensiva vem sendo transformado em um programa de rotina técnica sem um único vestígio humanizado no processo de acolhimento e minimização das complicações.

            Boa parte dos depoimentos de pessoas que vivenciam a experiência de internação em uma unidade de terapia intensiva não visualiza o impacto da contribuição do avanço tecnológico e da excelência técnica dos especialistas, mas sim, do tratamento dirigido a eles. Não é fácil estar em uma cama fragilizado com a doença crítica ser tratado como um número, aviltado em sua intimidade com abordagens que o expõem a pessoas estranhas, atingido com um trato frio, técnico, manipulado como se estivesse  lavando um banheiro, consertando uma máquina, abrindo uma geladeira.

            Para o fisioterapeuta, o grande desafio é compreender a noção de que a abordagem física, o toque a manipulação do corpo não é apenas um recurso aplicado para reabilitar as conseqüências nefastas da imobilidade do paciente na UTI. Trato humanizado e integralidade de segmentos com o todo é sua maior contribuição no processo de restauração. A grande variedade de enfermidades que acometem o paciente em terapia intensiva afeta diretamente a irrigação sistêmica incluindo a perfusão cerebral alterando as funções neurológicas como o nível de consciência e a percepção sensitiva. O importante é incitar a técnica estimulando a realização da fisioterapia motora integrativa combinando o movimento envolvido em um processo de informação sensorial, o que por sua vez transforma o cérebro em um circuito integrado que realiza funções de processamento.

            Mas a condição clínica ainda é o farol que norteia a programação terapêutica. Algumas situações, como a sedação, nível de consciência reduzido, delirium etc, não permite que a integralidade se cumpra. Um foco mais dinâmico dependerá da clinica e sua melhora poderá ser o caminho para uma participação mais ativa do paciente na terapia. Bom senso será sempre o guia para se evitar os movimentos repetitivos de forma abusiva aplicadas pelo fisioterapeuta. Mudanças de decúbito, e a ajuda de uma troca de fralda, são bons exemplos de abordagens mais funcionais.

            Tudo isso se descaracteriza quando o tratamento dirigido ao paciente se conforma em uma acolhida fria, imparcial, técnica demais e apática, insensível e indiferente de menos. Uma concepção de paciente como instrumento para intervenção, como objeto inerte, como coisa, como número deve ser abolida. Tratamento digno acima de tudo, conferindo um sentimento afável, benévolo, solidário. Um olhar tênue, leve, suave e brando, contrariando com a solidão, angústia e infortúnio da doença. O grande desafio para o fisioterapeuta intensivista, é implementar uma atitude mais humanizada como objetivo terapêutico e incorporar as medidas como recurso. Incontestável que o resultado no processo de cura alcançará um grande êxito.

Dostoievsky Ernesto de Melo Andrade -  Fisioterepêuta Intensivista. Prof. do Estágio Supervisionado I do Curso de Fisioterapia do UNIPÊ e do Módulo de Atividade Prática(Terapia Intensiva) da Especialização em Fisioterapia Cardiorrespiratória do UNIPÊ

 

 

mai 13

Diante da realidade inquestionável das transformações demográficas observamos uma população cada vez mais envelhecida, com isso evidencia-se a importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida. Com o crescimento dessa população idosa e dependente de cuidados especiais, as instituições destinadas a prestar assistência a essa população se tornam cada vez mais necessária. Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado com grande nível de sedentarismo, carência afetiva, perda de autonomia causada por incapacidades físicas e mentais, ausência de familiares para ajudar no autocuidado e insuficiência de suporte financeiro. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e co-morbidades refletindo em sua independência e autonomia. Conhecendo o perfil diferenciado dos idosos institucionalizados e observando as atividades em grupo no Instituto de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Vila Vicentina - Júlia Freire surgiu à necessidade do presente trabalho para observar o benefício dessas atividades aos idosos quanto ao bem estar bio-psico-social, potencializando suas funções globais, a fim de obter uma maior independência, autonomia e uma melhor qualidade de vida. Este relato de experiência tem como objetivo avaliar a qualidade de vida dos idosos na instituição através das ações realizadas nas atividades em grupo, com os seguintes objetivos gerais: melhorar equilíbrio e coordenação, percepção corporal, melhorar a força muscular global, estimular a memória, promover a sociabilização. O estudo é do tipo descritivo e exploratório, de natureza qualitativa, sendo desenvolvido por acadêmica do 8 período, da disciplina de Estágio Supervisionado I, do curso de graduação em Fisioterapia do Centro Universitário UNIPÊ. A amostra foi constituída por 28 pacientes, sendo 13 do sexo feminino e 15 do sexo masculino. Dentre os idosos, 6 apresentam diagnóstico de Doença de Alzheimer, 5 com déficit visual, 4 com hipertensão, 3 com AVE, 2 apresentam esquizofrenia, 2 com Seqüela de Encefalite Viral, 1 com Amputação de MMII, 1 com Espondilite Anquilosante, 1 com Insuficiência Renal Crônica, 1 com Gonartrose, 1 com osteoporose e 1 apresenta Escoliose. As atividades ocorreram nos dias 09 de fevereiro, 23 de fevereiro e 02 de março, no período da manhã, com duração de 2h00min no auditório da própria instituição, seguindo uma seqüência de atividades: verificação de PA, dinâmica com o objetivo de promover a sociabilização entre acadêmicos e idosos, aquecimento, exercícios enfatizando as atividades básicas de vida diária (AVD’s) e o bingo que é realizado em todos os dias de atividade de grupo com a finalidade de sociabilização, diversão, como também estimulação da memória. No dia 9 de fevereiro, a atividade ocorreu com a confecção das máscaras de carnaval e bingo, sendo verificada a pressão arterial dos participantes, com o objetivo de coordenação motora fina, sociabilização e estímulo da memória e diversão, observando uma grande satisfação comum de todos em participar da confecção das máscaras, sendo usadas quatro dias após no baile de carnaval realizado na instituição com dinâmicas e desfile de carnaval. No dia 23 de fevereiro, a atividade ocorreu durante a “Semana do movimento Corporal” onde foi desenvolvida a verificação da Pressão Arterial (PA) de todos os participantes no início e no final; dinâmica de apresentação “Mestre Mandou”; exercícios de aquecimento com a coreografia da música erguer as mão de Padre Marcelo Rossi com estímulo para memória e conscientização corporal; alongamento cervical e MMSS com bastão; exercícios em circuito(marcha com obstáculo, marcha zig-zag, noção espacial com o uso do bambolê e exercício ativo-livre de MMSS com auxílio do bastão) ; relaxamento associado a respiração e bingo, observou-se  em toda a atuação  a realização de adaptações para que todos os idosos pudessem participar das atividades dentro de suas limitações. E por último a atividade na “Semana da Memória” no dia 2 de março, iniciando com verificação da Pressão Arterial (PA); posteriormente a dinâmica da “História” com o objetivo de memorização e atenção; aquecimento com a coreografia da música de Padre Marcelo; alongamento cervical e MMSS associado a contagem numérica; jogo da memória com maior dimensão construído e adaptado pelos acadêmicos (40cm x 40cm), para trabalhar a função cognitiva e o bingo. A maioria dos participantes nesse tiveram dificuldade nos quesitos relacionados à memória, até mesmo os independentes ou os que apresentam um nível cognitivo mais estável. Esse fato resulta da deficiência de atividades contínuas que estimulem a função cognitiva dos idosos e da falta de sociabilização entre os mesmos. Deste modo, o relato mostra a importância da Fisioterapia em contribuir para a compreensão do processo de envelhecimento trazendo a possibilidade de gerar alternativas de intervenção com vista a um melhor bem-estar e uma melhor qualidade de vida aos idosos, sendo incentivada a prática de atividade física e cognitiva.

 

Autora: Luana Córdula dos Santos

Co-autores: Ana Alves Moreira, Arthemis Rodrigues, Lisley Lins, Kamila        Marinho, Mayonara Araújo e Raphael Campelo de Souza.

Orientadora: Prof (a) Rachel Fonsêca

 

abr 19

No primeiro dia de estágio, assim de pronto, fui questionado sobre a morte, o que é a morte? Como você reage? “Ela” te abala? Sabia lá eu o motivo real dos questionamentos. Estruturei, cá comigo, a experiência vivida ao longo dos meus 22 anos, tentando diferenciar a perda de um familiar, e de pessoas não tão próximas, além de tentar me colocar como cuidador daquela vida. Como fisioterapeuta participador do processo, transformei em palavras um pensamento, digamos, “frio”. Esperei e observei a face do entrevistador, que me transmitiu um ar de “é, vou ter que abrir teu olho” ou um “tem que sentir na pele”.

Em um dia de estágio aparentemente normal, seguimos nossa rotina diária: separar material, sair correndo atrás do professor, chegar em silêncio na UTI, esperar do professor qual paciente nós vamos atender, anotar diagnóstico, SSVVi, lavar a mão e iniciar avaliação/conduta. Meu dia começou a mudar logo na avaliação dos sinais vitais, onde verifiquei uma paciente do sexo feminino com grave instabilidade clínica. Fui tomado por um sentimento acolhedor, chamei a responsabilidade pra mim, “pedi a bola no meio de campo”, comecei minha conduta. Sabia que com todas as minhas limitações, eu podia!

Ele vinha cá e lá, achou coerente minha conduta, me orientava, e sem acesso venoso nenhum, injetava adrenalina em doses elevadas na minha circulação, “vamos, pense, rápido”.  Procedimentos realizados com sucesso se pode, chamar isso de sucesso. Sentia minha paciente progressivamente mais longe, indo embora…essa foi justamente a expressão que atou minha mãos inquietas, “a vó está indo embora”. Sabe aquele sentimento lá de cima, de potencialidade, já não existia mais, como nos poemas infantis “ganhou asas e voou”, depois de lavar as mãos e observar a vida transformar-se em morte, eu com toda minha frieza fui abalado, e em poucos minutos fui acolhido com uma expressão usada por quem tem experiência em situações semelhantes, “esse é o curso da vida”.

Relato esse dia, não tarjando-o como especial, mas como necessário. Aprendi que não podemos ser frios, por maior tempo de experiência que eu acumular com situações semelhantes, espero de mim, sempre, um sentimento de tristeza, de luto, claro que conhecendo minhas limitações humanas. Quando isso não acontecer, vou me envergonhar, estou ali para cuidar, salvar, trazer de volta em um só corpo humano, uma história pra contar, experiências e sonhos ainda por serem vividos.

Se fosse questionado de novo sobre a morte, abriria o Aurélio que define como: cessação da vida, fim, pesar profundo. Não se pode expressa-lá a partir de sentimentos vividos, sempre vai haver um equívoco. Tenho em mim memorizado as palavras de um psiquiatra suíço que transparece meu sentimento, Carl Gustav Jung disse: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas quando tocares uma alma humana seja apenas outra alma humana”.  Obrigado.

 

Acadêmico: LUCAS VICENTE PEREIRA BORGES – 8° período.

fev 21

No último dia  09 de fevereiro, a coordenação e os alunos do curso de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) mantiveram a ideia diferente e divertida de recepcionar os “feras”. Pelo segundo ano consecutivo, os calouros participaram do Bloco “Portadores da Folia”, da Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), que saiu às ruas da Capital.

Em clima de Carnaval, feras e veteranos cairam na folia durante mais um “Trote Solidário”.

A iniciativa buscou fazer com que os calouros já compreendam o espírito da solidariedade e da humanização, que são imprescindíveis para a formação na área da saúde.

nov 21

Queridos alunos e professores, muitas especulações têm surgido diante da discussão do Ato Médico, aumentadas ainda mais,  essa semana, em virtude da insatisfação provocada por um capítulo da novela Viver a Vida.

Observando as constantes dúvidas e visando promover maiores esclarecimentos sobre o projeto de Lei e as ações que vem sendo efetuadas pelos Conselhos, Sindicatos e Associações,  próxima terça-feira dia 24/11, às19h30min na FUNAD, o Crefito 1 estará promovendo uma reunião para discussão da repercussão da aprovação do “ato médico” nas nossas prerrogativas profissionais. Contamos com a participação de todos!

E Por fim, buscando demonstrar que estamos todos juntos nessa luta, abaixo seguem os ofícios enviadaos pelo Crefito-SP  e do Crefito 6 à Rede Globo de Televisão.

CREFITO-SP SE MANIFESTA SOBRE NOVELA VIVER A VIDA
Leia ofício enviado à Rede Globo sobre capítulo 55, de 16/11

A:
Roberto Irineu Marinho, Presidente das Organizações Globo
Manoel Carlos, autor da novela Viver a Vida
Fabrício Mamberti, Diretor Geral da novela Viver a Vida
Jayme Monjardim, Diretor de Núcleo da novela Viver a Vida

Caros Roberto, Manoel, Fabrício e Jayme:

Em primeiro lugar, gostaríamos de parabenizar a Rede Globo de Televisão pela alta qualidade de seus programas. No entanto, no dia 16/11/2009 a Globo veiculou um diálogo na novela Viver a Vida que entendemos ser inapropriado e desrespeitoso para com os profissionais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Em especial foi dito:

DR. MORETTI: Agora, seu programa de reabilitação! Esse aqui é o Dr. Alexandre, seu fisiatra.
DR. ALEXANDRE: Olá, Luciana!
LUCIANA: Olá! Tudo bom?
DR. ALEXANDRE: Tudo, e com você?
LUCIANA: Hum. Ó, já vou logo avisando que eu sou mais bonita do que sou aqui, tá?
(Dr. Alexandre e Dr. Moretti riem)
DR. MORETTI: O Dr. Alexandre, ele vai comandar toda a sua reabilitação. Ele vai programar a sua fisioterapia, terapia ocupacional e outras necessidades. Enfim, ele vai monitorar e acompanhar a sua recuperação até o fim.
(Luciana sorri)
DR. ALEXANDRE: O tratamento é lento. Ele requer muita disciplina e força de vontade. Você vai ter que ter paciência, mas podemos começar os exercícios de fisioterapia hoje mesmo, tudo bem? Luciana, estamos todos juntos e empenhados.

A Constituição Federal determina que o cidadão é livre para fazer o que quiser a menos que uma lei explicitamente o proíba. Isso inclui o exercício de qualquer profissão ou ofício. As profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional estão regulamentadas no Brasil desde 1969 pelo Decreto-lei nº 938. De acordo com esses regramentos, apenas os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem diagnosticar, prescrever e executar tratamento em suas respectivas áreas de atuação, de forma autônoma.

Admiramos e aplaudimos as virtudes dos médicos, mas cabe a eles a prescrição medicamentosa e a intervenção cirúrgica. O diálogo veiculado na novela Viver a Vida estimula o exercício ilegal das profissões de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais por médicos com especialidade em fisiatria.

Os modernos sistemas de saúde do mundo estão fundamentados na oferta dos serviços de saúde por equipes multidisciplinares, onde cada profissional respeita e admira as virtudes que cada um agrega à vida saudável. Nesse sentido, os 150 mil fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais se sentiram ofendidos com o diálogo veiculado na novela, no qual o médico fisiatra deixa claro que o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional atuarão sob sua tutela. As decisões sobre tratamentos de reabilitação são tomadas de forma consensual entre os membros das equipes multidisciplinares de saúde e não de forma hierárquica, como mostrado no diálogo acima. Ao contrário do que é afirmado, o fisiatra não possui a prerrogativa legal e muito menos as habilidades e competências para coordenar e prescrever os serviços de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

O Estado brasileiro realiza hoje 1 bilhão de consultas médicas no SUS, com duração máxima de 5 minutos. Essas consultas estão gerando meio bilhão de exames a um custo bilionário com medicamentos. No entanto, temos 50 milhões de portadores de doenças crônicas e ainda vivemos uma década a menos do que poderíamos. A solução para os graves problemas de saúde do Brasil inclui a oferta de serviços das equipes multidisciplinares de saúde à população.

Contamos com a sensibilidade de Vossas Excelências para que o Brasil possa admirar e aplaudir as virtudes dos profissionais da saúde. Não temos dúvida que o Brasil mais uma vez terá a oportunidade de assistir às virtudes que as ciências da Fisioterapia e Terapia Ocupacional oferecem na reabilitação das milhares de vítimas dos acidentes de carros. Contamos com a pronta recuperação da personagem Luciana, interpretada pela atriz Alinne Moraes. A recuperação de seus movimentos devolverá e dará vida com graciosidade a essa bela personagem. O sucesso da cirurgia feita pelas mãos do brilhante neurocirurgião Dr. Moretti, a correta prescrição medicamentosa do excelente fisiatra Dr. Alexandre, completada pela atuação brilhante do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional é a materialização da vida que clama pelo respeito e pela paz nas equipes multidisciplinares de saúde.

Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo

nov 9

Introdução: O processo de envelhecimento traz modificações de ordem física, social e psíquica. O declínio físico associado a ocorrência de doenças crônico-degenerativas leva em muitos casos à perda da capacidade funcional dos idosos tornando-os dependentes ou parcialmente dependentes para as suas AVD’S. Idosos institucionalizados possuem mais limitações funcionais se comparado aos residentes em comunidades, essas limitações associadas à co-morbidades contribuem para o descondicionamento físico, risco de quedas e Síndrome da Imobilidade. Preservar a mobilidade geral nesta população é um desafio para os profissionais de saúde que prestam assistência em Institutos de Longa Permanência. Este trabalho tem como objetivo descrever uma experiência acadêmica desenvolvida no Instituto de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Vila Vicentina Júlia Freire da Cidade de João Pessoa - Paraíba. Metodologia: Trata-se de um estudo do tipo descritivo e exploratório, de natureza qualitativa. O trabalho fora desenvolvido por discentes do 8 período, da disciplina de Estágio Supervisionado I, do curso de graduação em Fisioterapia do Centro Universitário UNIPÊ. Descrição da Atuação: O tema escolhido para desenvolver a atividade em grupo com os idosos institucionalizados foi “Semana do Movimento Corporal”, cujo objetivo principal era estimular a manutenção da mobilidade geral, melhorar a interação social e estimular a memória. A atuação ocorreu nos dias 18/08/09 e 20/08/09 com duração de 2 horas cada e teve a participação de 23 idosos sendo 14 do sexo feminino e 9 do sexo masculino. Entre os idosos existiam os que eram dependentes, parcialmente dependentes e independentes para as atividades básicas da vida diária. No início e no final da intervenção foi verificada a pressão arterial de cada idoso. Cada dia foi realizada uma dinâmica de apresentação da equipe estimulando a interação entre os acadêmicos e os idosos e a memória. Para a dinâmica foram utilizados crachás contendo o nome de cada integrante que ao se apresentar solicitava a repetição do nome pelos idosos. Foi enfatizada através de música e coreografias, que simulavam atividades básicas da vida diária, a importância para os idosos de manter a independência funcional, dentro dos limites individuais diante das AVD’S como alimentação, banho, transferências e higiene pessoal. Foi realizada uma sequência de exercícios de aquecimento e alongamento da musculatura cervical, membros superiores e tronco, associado ao uso da música, bolas e bastões. As intervenções de ambos os dias foram finalizadas com um Bingo objetivando estimular a interação social, memória e coordenação motora. Considerações Finais: Visto que o grupo era heterogêneo quando a sua funcionalidade, buscou-se em toda a atuação realizar adaptações para que todos os idosos pudessem participar das atividades dentro de suas limitações. Visando alcançar o objetivo proposto sugerimos a integração e capacitação dos cuidadores e dos demais profissionais de saúde envolvidos no processo de cuidado, de modo que ofereçam suporte necessário e adequado para os idosos em suas AVD’S sem, contudo tira-lhes a funcionalidade.

Palavras-Chaves: Promoção da saúde, institucionalização, capacidade funcional.

 Rhayssa Rhaquel S. Melo (rhayssa@click21.com.br)¹ Lorena Gadelha (camillagadelh@hotmail.com)¹ Christina (achristina_fisio@hotmail.com) CamillaAlexandraRachel Fonseca (rachelcfjp@hotmail.com)² Delgado²Márcia                                                                          

¹ Discentes do curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ

² Docentes do curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ

 

out 30

Apesar da luta e de diferentes ações e campanhas de combate à violência contra a mulher, no mundo inteiro, a realidade cotidiana mostra números que revelam uma sociedade violenta contra as mulheres.A violência contra a mulher consiste em qualquer ato de violência que tem por base o gênero resultando em dano ou sofrimento de natureza física, sexual ou psicológica. ¨É qualquer conduta, ação ou omissão de discriminação, agressão ou coerção ocasionada pelo simples fato da vitima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados¨(CONSELHO DAS NAÇÕES UNIDAS,1992).

Entre os tipos de violência que são: a violência de gênero, doméstica, familiar, física, institucional, moral, sexual e psicológica. A violência física é a forma de violência que além de danos a estrutura corporal da mulher causa traumas psicológicos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 10 a 50% das mulheres já sofreram agressões físicas. Um outro tipo de violência contra a mulher que agride além de sua integridade moral e física é a violência sexual, consta no código penal brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de estupro, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 12 a 25% das mulheres já foram atacadas ou sexualmente agredidas. De uma forma geral cerca de 33% das mulheres já sofreram algum tipo de violência.

Mesmo considerando aspectos sociais, culturais e religiosos, a realidade da violência contra a mulher a nível mundial mostra algo de relevante preocupação. No Canadá uma em cada dez mulheres já foi agredida por seus companheiros e menos de 20% recorram à polícia. E o Japão, que apresenta traços marcantes de submissão das mulheres, dados da Associação de Investigação sobre Violência Conjugal concluiu que 78,5% das mulheres que vivem com seus maridos ou companheiros sofrem maus tratos masculinos, e menos de 5% denunciaram. Calcula-se que no Brasil, em cerca de 15 milhões de lares, as mulheres sofrem violência doméstica.

Na Paraíba os dados também impressionam, segundo dados da organização não governamental Centro da Mulher 8 de Março, foram registrados de janeiro de 2009 a setembro do mesmo ano, 30 assassinatos, 17 tentativas de homicídios e 40 mulheres foram vitimas de estupro. E esses dados ainda podem ser mais alarmantes levando em conta que muitas mulheres não registram queixas ou não procuram ajuda junto aos órgãos competentes.

O Impacto da Lei Maria da Penha: O Brasil é o 18º da América Latina a contar com uma lei específica para os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher .A lei Maria da Penha, que é a lei Nº 11.340 de 7 de agosto de 2006, que entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006, tem como propósito previnir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher praticada no âmbito doméstico, familiar ou de relacionamento íntimo do agente do fato, independentemente da natureza do crime e de quem o pratique, podendo ser homem, mulher, filho(a), empregador(a).

A origem do nome da lei é uma Homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes que em 1983, em Fortaleza(CE), sofreu duas tentativas de homicídio por seu então marido Marco Antonio Herredia Viveiros (colombiano, professor universitário de economia). A primeira, com um tiro que a deixou paraplégica e a segunda, por meio de choques elétricos.

Essa lei promoveu grandes mudanças na legislação penal e processual penal, como também na assistência as mulheres vítimas de violência. Alguns aspectos relevantes são: não permite aplicação de penas ou medidas alternativas; não permite a suspensão condicional do processo sendo obrigatória a instauração do inquérito policial e da prisão em flagrante; a lesão corporal dolosa simples é pública incondicionada; triplicação da pena máxima de um para três anos de detenção; aumento dos mecanismos de proteção às vítimas, como a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o direito da mulher ter de volta seus bens e cancelar procurações feitas em nome do agressor; a integridade física e psicológica da mulher é assegurada pelo Juiz; acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou indireta, tendo manutenção do vinculo trabalhista e afastamento por 6 meses; a assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo os serviços de contracepção de emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual. A Lei Maria da Penha também admite laudos ou prontuários médicos dos serviços de saúde como prova.

O enfrentamento da violência contra a mulher foi escolhido como eixo temático de trabalho do grupo de estágio supervisionado na Maternidade Frei Damião no mês de Setembro. O tema foi trabalhado por professores e alunos por meio de painel integrado e vídeos.

Para nós foi muito gratificante o debate sobre o tema. Através da  pesquisa textual e as discussões em grupo pudemos verificar que a violência contra a mulher, infelizmente é um fato bastante incidente na sociedade e necessita do envolvimento de todos para o enfrentamento deste quadro. Enquanto fisioterapeutas pudemos discutir como identificar o ciclo de violência e como proceder nos serviços de saúde.

Não se justifica nenhum motivo para agressão contra a mulher!

Acadêmicos: André Freire Santa Rosa e Thiago Morais Ferreira (Estágio Supervisionado II – Maternidade Frei Damião)

 

 

out 27

INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional no Brasil apresenta um expressivo crescimento decorrente de fatores, como a redução da taxa de fecundidade e os avanços da biotecnologia. Devido a todas essas transformações, vários estudos estão sendo desenvolvidos visando propor uma melhor qualidade de vida para a população idosa, principalmente para aqueles que se encontram institucionalizados. Estes por sua vez, apresentam um maior nível de dependência funcional o que leva a transformações como a perda ou redução das redes de apoio e relações sociais, da autonomia de pensamento e de vontade, da privacidade e da individualidade, acarretando problemas sociais e de saúde de forma a interferir no que denomina-se empoderamento; que caracteriza-se pela habilidade das pessoas conseguirem um entendimento e controle sobre suas forças pessoais, sociais, econômicas e políticas agindo para uma melhoria de sua qualidade de vida. OBJETIVO: Diante do exposto, buscamos relatar a vivência da Instituição de Longa Permanência (ILP) Vila Vicentina Júlia Freire, localizada na cidade de João Pessoa – PB, onde observamos a ação dos cuidadores para com os residentes, durante o período de Agosto a Setembro de 2009. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo do tipo descritivo e exploratório, de natureza qualitativa, onde a amostra foi composta por 62 idosos com diversas afecções crônicas e distúrbios psicológicos comuns do processo de envelhecimento, e 5 cuidadores. O período de coleta de dados ocorreu durante a disciplina Estágio Supervisionado I através das estagiárias de fisioterapia do 8º período do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No decorrer da análise verificou-se que com  a escassez de tempo e número inadequado de cuidadores, os idosos perdem sua autonomia, acentuando assim o declínio de sua funcionalidade, pois durante as atividades de vida diária os cuidadores precisam estimular a participação dos idosos durante a execução das mesmas ou que a realizem por conta própria. Para avaliar a capacidade funcional, foram observaradas algumas atividades como: as refeições, os cuidados com a higiene pessoal, ao vestir-se e transferir-se, e até mesmo em atividades mais simples, como beber água; o que inconscientemente exacerba todo o grau de dependência do residente nos seus aspectos emocional, social e físico comprometendo assim, a sua qualidade de vida. CONCLUSÃO: Logo, é fundamental desenvolver alternativas que viabilizem uma melhor capacitação das pessoas que prestam serviços nas instituições para garantir um maior grau de satisfação dos idosos no que diz respeito a qualidade de vida por meio de atividades que orientem e eduquem os mesmos. Além disso, é importante destacar que os profissionais de saúde são agentes essenciais em promover o empoderamento a esta população idosa em crescente ascensão, agindo de forma humanizada, integralizada e introduzindo ações que alcancem esse objetivo, mas que levem em consideração os aspectos sócio-culturais de cada indivíduos. Desta forma, uma boa qualidade de vida será atingida na terceira idade.

 

Palavras-chaves: empoderamento, institucionalização, qualidade de vida.

 

Alexandra Christina Santos da Silva (achristina_fisio@hotmail.com)*

Maria Cláudia de Araújo Nascimento (mclaudia.fisio@hotmail.com)*

Thayana Nara Gomes de Medeiros (thayanagmedeiros@gmail.com)*

Márcia de Oliveira Delgado (modfisio@yahoo.com.br) **

Rachel Cavalcanti Fonseca (rachelcfjp@hotmail.com) **

* Dicentes do Curso de Graduação de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa-Unipê

** Docentes do Curso de Graduação de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa-Unipê

 

 

out 22


A hemofilia é uma desordem hereditária da coagulação sanguínea, devido à deficiência funcional dos fatores de coagulação . A coagulação sanguínea é o resultado da conversão de uma proteína solúvel (fibrinogênio) em uma proteína insolúvel (fibrina), a qual forma o coágulo sanguíneo. Para que haja a conversão é necessário que ocorra fenômenos mecânicos, químicos e físico-químicos, como espasmo vascular, formação de tampão plaquetário, formação de coágulo sanguíneo e posteriormente, o crescimento final de tecido fibroso no interior deste coágulo para fechar o orifício do vaso. Estas reações conseqüentes de um seccionamento de um vaso necessitam de diversos fatores de coagulação. Na hemofilia ocorre uma ou várias modificações do mecanismo hemostático, o qual se torna insuficiente para prevenir ou coibir a hemorragia.

A hemofilia é um distúrbio da coagulação sangüínea geneticamente determinada, assim pode ser transmitida tanto pelo pai, quanto pela mãe e pode ser classificada em quatro tipos: tipo A, decorrente da insuficiência do fator VIII, sendo a mais comum das insuficiências hereditárias de fatores de coagulação, cerca de 85 %; a hemofilia B é a segunda mais frequente, com cerca de 15%; a hemofilia C é rara e a de von Willebrand ocorre aproximadamente 1 em cada 1.000 pessoas, incidindo na mesma proporção tanto em homens quanto em mulheres. Tanto a hemofilia A, quanto a B são herdados como traços ligados ao X, de modo que quase todos os indivíduos acometidos são do sexo masculino e as mulheres são portadoras e quase sempre assintomáticas, já que elas tem dois cromossomos X e o gene normal do seu segundo X impedirá o gene da hemofilia de expressar-se.

As hemofilias caracterizam-se clinicamente pelo aparecimento de sangramentos, que ocorrem após traumatismos de intensidade mínima. A hemartrose é o elemento clínico mais característico da hemofilia, tendo distensão, dor, impotência funcional, como manifestações clínicas. Esses derrames articulares são sempre provocados por microtraumas e são mais freqüentemente notados nas grandes articulações, sendo o joelho a articulação mais envolvida, isto se deve ao maior suporte de carga ou solicitação dessa articulação. Os hematomas musculares são a segunda causa mais comum de sangramentos em hemofílicos graves, podendo ocorrer espontaneamente ou após microtraumas. Caso não tratados de forma adequada podem resultar em organização fibrosa, com contratura muscular. A artropatia compreende o estágio final da hemartrose, acometendo principalmente os joelhos, tornozelos, cotovelos e coxo-femorais. A gravidade destas alterações degenerativas é geralmente, proporcional ao número de hemartroses ocorridas. Tem como características mais proeminentes a perda da movimentação articular, contraturas em flexão e a intensa atrofia da musculatura, secundária ao desuso.

Nos casos mais graves e avançados, a articulação pode apresentar-se anquilosada, com perda da mobilidade. O diagnóstico é sugerido por uma história de derrame articular após microtraumas, história familiar compatível com a herança ligada ao cromossomo X e presença de artropatia ao exame físico. Entretanto, será confirmado o diagnóstico através dos dados laboratoriais: tempo de coagulação mais prolongado, alargamento de tromboplastina parcial ativada e a identificação do fator de coagulação em deficiência pelo teste de geração da tromboplastina, outro recurso utilizado para diagnóstico da hemofilia é a reação de cadeia de polimerase: detecção de portadores do gen hemofílico, a clonagem e a caracterização dos gens possibilitam a análise genética da detecção de portadores e o diagnóstico pré- natal de PCR. O diagnóstico final, é dado pela dosagem da atividade dos fatores, que informará o tipo e gravidade da doença. O tratamento conservador baseia-se na reposição de fatores de coagulação, o mais utilizado, apesar de não representar a cura para o indivíduo hemofílico, possibilita o controle de episódios hemorrágicos. A terapia genética está em fase de experimentação, permite que células com genes VIII e IX sejam induzidas a sintetizar os fatores de que necessitam, tem como ponto limitador ainda seu alto custo e a não abrangência significativa para os portadores dessa coagulopatia.

A fisioterapia nestes pacientes tem como objetivos principais: trabalhar as fases do desenvolvimento neuropsicomotor normal, alem de prevenir incapacidades e melhora da função. Para que isto ocorra é necessário o tratamento precoce, já que hemorragias recorrentes podem levar a deformidade, contraturas, hipotrofias musculares e até mesmo a anquilose. Assim, o tratamento fisioterapêutico apresenta três fases: atenção precoce ao paciente, tratamento durante os episódios hemorrágicos e reabilitação das seqüelas incapacitantes do aparelho locomotor. O tratamento fisioterapêutico, no entanto, deve estar associado ao tratamento clínico, visto que a reposição do fator deficiente é essencial para manutenção da hemostasia sanguínea do paciente durante os episódios de hemorragia.

Alguns cuidados podem ser tomados pelos pais e cuidadores para evitar possíveis complicações, como: forrar com protetores o berço para evitar traumas diretos e como consequência a hemorragia; dar banho manipulando levemente articulações; não levantar a criança através do estiramento contínuo dos membros superiores, pois existe a possibilidade de causar hemartrose de ombro; não induzir a criança ao ortostatismo precoce para não desencadear hemartrose; quando ela começar a engatinhar deve ser colocado luvas, para joelho para proteger articulações e áreas sensíveis; evitar usar roupas apertadas, pois podem ocasionar equimoses e hematomas; nas calças compridas, costurar proteção acolchoada nos joelhos e nas nádegas, para amortecer as quedas; colocar piso antiderrapante no chão do banheiro. É importante a prática de atividades físicas pelo hemofílico orientadas por profissionais competentes, pois trará vários benefícios como: músculos mais fortes para proteger as suas articulações e assim ajudar a reduzir os sangramentos espontâneos, assim como o controle do peso e consequentemente a eliminação da sobrecarga nas articulações. No entanto, nem todas as atividades físicas são indicadas para pacientes hemofílicos. Atividades como artes marciais, o boxe são atividades que merecem cuidado. Contudo, atividades como caminhadas e natação são consideradas seguras.

Acadêmicas de fisioterapia: Kathlyn Cavalcanti e Ana Clécia.

Meryeli S de Araújo Dantas e Isolda Maria Barros Torquato (Docentes do Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ)

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